domingo, 5 de agosto de 2007

De filho pra pai

Algumas coisas são feitas sem pensar muito. Algumas em bons momentos, e os resultados ficam guardados para sempre. Outras em maus momentos, e o resultados também ficam guardados para sempre. De uma maneira negativa, mas ficam.

Sexta-feira, 13 de julho. Meu pai me liga por volta de 15:30 me informando que roubaram a frente do rádio do carro, que estava no porta-luvas. O carro estava na garagem. Na mesma sexta-feira, por volta de 17:30, meu chefe me informa que a empresa fechou uma venda na qual eu estava trabalhando. Essa sexta-feira 13 pregou uma peça. Era eu extremamente feliz, e meu pai extremamente triste.

Quando cheguei em casa à noite, encontrei ele no mau-humor propício à situação: "Eu vou vender o carro, eu não preciso de carro, eu tenho a moto, eu só uso o carro para ir ao supermercado, eu vou vender o carro, só incomoda, eu vou vender o carro, blá blá blá."

Sábado pela manhã ele tinha um evento que iria ocupar toda a manhã e parte da tarde. Me deu 50 reais e pediu que eu o levasse até o evento, trocasse a ventarola (quebrada pelo vagabundo para abrir a porta do carro) e desse uma limpada no carro. Minha manhã de sábado parecia perfeita.

Acordei por volta de 7:20. Chegamos no local do evento 7:45. Meu pai com cara de poucos amigos, olhando para os cacos de vidro no tapete e para a ventarola quebrada. Oito horas da manhã, as lojas da Azenha estavam abrindo e lá estava eu entrando na Tarumã para colocar a tal da ventarola. Lá se foram 45 reais e sobraram 5 para lavar o carro.

Aproximadamente 1 hora depois eu estava saindo da loja 45 reais mais pobre e com uma ventarola completamente suja, mas sem aquele buraco no carro. Rumo? DuSom, loja de aparelhos de som automotivos e alarmes onde sempre fazemos esse tipo de serviço. Questiono o Eduardo, dono da loja, sobre aparelhos de som com mp3 que tenham um custo-benefício razoável.

- Eu tenho esse JVC aqui, custa R$ 395.
- Vem com controle remoto?
- Não.
- Mas ele aceita controle remoto?
- Peraí, deixa eu ver... sim, ele aceita controle remoto.
- Onde eu consigo o controle remoto?
- Eu tenho alguns sobrando.
- Eduardo, o vagabundo não chegou a tirar o rádio, quando ele voltou para fazer isso chegou a polícia, a fiação está pronta, quanto tempo tu acha que leva para tirar um e colocar o outro?
- Uns 30 minutos.
- E quando tu pode fazer isso?
- Agora.
- Coloca.

Por volta de 10:30 eu chego em casa. Havia passado na lavagem, mas estava fechada. Como não queria procurar por uma lavagem que eu não conhecesse, fui lavar o carro em casa. E caprichei. Com direito a aspirador e Jimo Silicone no painel.

13:30 meu pai liga e pede para que eu vá buscá-lo. Droga, não deu tempo de gravar o CD de mp3. Saio assim mesmo e chegando próximo ao local retiro a frente do rádio. Ele entra no carro e fica olhando para o pedaço de vidro colocado. Eu faço o balão na Oscar Pereira e digo: "Vamos colocar uma musiquinha!".

A cara do meu pai quando eu coloco a frente do rádio foi impagável. Olhou pro lado, disse que não era por aí, que eu não tinha que fazer esse tipo de coisa e blá blá blá. Resultado? Voltou a ficar contente e não quer mais vender o carro. Foi um presente de pai pra filho. Ou vice-versa, tanto faz.

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