sexta-feira, 11 de abril de 2008

500 Millas del Norte

Bom, como alguns de vocês sabem, na semana da páscoa eu não estive presente em Porto Alegre. Consegui alguns dias de folga na empresa onde eu trabalho e fui para o Uruguai, acompanhar o Whiskas em uma prova grande de ciclismo realizada lá. Após o encerramento da viagem, foi requisitado que eu escrevesse um relato sobre esta semana.

Segunda, 17/03 - A viagem

O dia começou acordando relativamente cedo, pois não tinha terminado de arrumar todas as malas e precisava passar no banco para retirar dinheiro. Por volta de 9h30, o Ricardo passou lá em casa para iniciarmos a viagem rumo à Artigas, norte do Uruguai (divisa com Quarai). Pausas no caminho para almoço e para abastecimento. Muitas retas depios, chegamos em Quarai, e logo chegamos em Artigas. Meio perdidos pela cidade, conseguimos encontrar alguns ciclistas (um time argentino). Paramos para conversar e tentar descobrir mais sobre a prova. Recomendaram que fossemos ao ginásio da cidade.

No ginásio descobrimos que a inscrição havia sido efetuada, pegamos os números e descobrimos que poderíamos dormir já na segunda-feira em um alojamento do exército uruguaio. Porém só teríamos direito às refeições do evento a partir da noite de terça-feira. Voltamos para Quarai para comprar pesos, atravessamos a fronteira de volta para o Uruguai, passamos na padaria para fazer um lanche, encontramos o alojamento, tomamos banho e saímos para jantar no La Farola, uma lancheria na praça central da cidade (que tinha uma garçonete um tanto atrativa). Como ainda era cedo, compramos um sorvete e decidimos jogar uma partida de Truco na praça central da cidade, celebrando o dia de San Patrício (St. Patrick) com uma cerveja Patrícia. Depois disto, alojamento e cama.

Frase do dia: "Alto cinco!"

Terça, 18/03 - O contra-relógio

Acordamos e fomos tomar café-da-manhã na padaria. Tentamos passear um pouco pela cidade, mas o passeio se tornou extremamente monótono, pois havia pouco movimento e a maioria das lojas não abria antes das 9h. Na medida que foram abrindo, passamos em algumas lojas e free-shops e depois voltamos para o alojamento. Depois de descansar um pouco, saímos para almoçar, comemos um sanduíche no La Farola. Após o almoço, voltamos para o alojamento para descansar antes da prova. A prova tinha início 16h, tendo a largada por ordem crescente de inscrição. Como o Ricardo tinha o número 72, ele só iria largar 5h12 (5h42, considerando que a prova se iniciou apenas 16h30).

Chegamos lá um pouco antes do início da corrida. Ele começou o aquecimento com antecedência e, antes do início da prova, pegou dinheiro para ir na padaria tomar um café. Rodas colocadas, tudo acertado e lá vai ele para correr o primeiro contra-relógio, um trecho "curto" de 1500m. O melhor tempo até ele iniciar tinha sido do argentino que ganhou a competição no ano passado. Ele pedala e faz um tempo 2 segundos mais rápido. Fui imediatamente conferir esta informação e contar para ele, que reagiu de uma forma um tanto incrédula. Ao final da comemoração, ele olha para a bermuda e encontra os 5 pesos que sobraram do troco do café (ele esqueceu de deixar no carro). Esperamos um pouco mais para que os últimos corredores terminassem a corrida e aí começaram os assédios e as entrevistas. Depois de enrolar muito o entrevistador da rádio, voltamos para o alojamento. Enquanto espero pelos meus chinelos para tomar banho (que estavam emprestados), conseguia ouvir uma canção alta vindo dos banheiros. Depois de tudo isto, janta no comedor, mais entrevistas e um sorvete para encerrar o dia.

Frase do dia: "Tá falando sério?!"

Quarta, 19/03 - Malla a cuadros

Na quarta-feira, logo após acordar tínhamos que empacotar todas as malas, pois viajaríamos até Rivera (Whiskas correndo de bicicleta e eu no carro). Passada na padaria para o desjejum, mais entrevista, aquecimento, mais entrevista e eu recebi o número 1 para colocar no vidro dianteiro. O carro da Elipse era o primeiro da caravana. Em Quarai, parada para receber a malla a cuadros do prefeito da cidade. Corrida com muito sol e pouco vento, dentro do carro fazia um calor infernal.

Depois de três horas de sol, chegada em Rivera. Alojamento, almoço e uma ciesta que durou quase a tarde inteira. Depois disso, passeio pela cidade, incluindo a foto clássica com um pé em cada país e algumas compras na Siñeriz. Parada para o lanche, compras no Super-Tata e voltamos ao alojamento para o jantar. Depois disso, banho e cama.

Frase do dia: "Tu és el malla."

Quinta, 20/03 - A subida

Acordamos e empacotamos tudo novamente, pois viajaríamos de volta para Artigas. Como não sabíamos direito o caminho até Tranqueras, onde seria realizada a largada, tomamos o café da manhã no carro esperando que os veículos da organização saíssem para segui-los. Faltando 10 minutos para a largada, o Ricardo resolve trocar o cassete das rodas porque o outro tinha mais dentes, ajudando na subida. Começa a prova com uma subida forte, seguida por uma interminável subida. Depois de terminar de subir, mais uma subida. Após isso, mais uma viagem sob um sol forte, com direito a um furo de pneu (da bicicleta) faltando 10Km para o encerramento. Encerrada a prova, fizemos a rotina clássica de ir para o alojamento, comedor, alojamento, ciesta, banho, comedor, sorvete e cama.

Frase do dia: "Espera aí que preciso trocar o cassete."

Sexta, 21/03 - A metade da prova

Começar o dia sem precisar arrumar nenhuma mala para a viagem já foi bem mais divertido. Café da manhã na padaria, como de costume. Corrida, almoço, ciesta, padaria e depois saímos para um reconhecimento da estrada da prova de sábado, o contra-relógio. Análise dos buracos, das marchas a serem utilizadas nas subidas e dos pontos onde seria interessante tomar água. Após efetuar o reconhecimento, banho, janta, sorvete (como é de costume) e uma análise dos corredores que estariam na estrada no momento do contra-relógio, quais deles teriam carro de apoio e qual seria o procedimento para ultrapassar um ciclista ou um carro de apoio. Afinal, ele iria ganhar a prova, portanto iria eventualmente realizar ultrapassagens.

Frase do dia: "Fico com a caramanhola."

Sábado, 22/03 - O empacotamento

Café da manhã na padaria e bastante aquecimento até o início do contra-relógio. Tudo pronto, tudo certo, todas as espectativas altas e o contra-relógio se inicia. Ele arranca com a bicicleta, eu arranco com o carro e *capof*. Ele empacota no meio da pista, logo depois de largar. O pessoal da organização é rápido, coloca ele logo de volta na bicicleta mas ele não consegue ter o rendimento esperado durante o resto do contra-relógio, em virtude dos machucados. Apesar disso, ele ultrapassa dois corredores e faz o melhor tempo até aquele instante (45 corredores já haviam terminado a prova). Terminada a prova, ele consegue o décimo melhor tempo. Ou seja, existia uma enorme possibilidade de ele ganhar a prova, baseado no tempo tendo caído e na vitória no primeiro contra-relógio. Mas acidentes acontecem. Chamei uma ambulância logo depois do encerramento da prova, curativos, banho, almoço, alojamento e ciesta. Após acordar, padaria para um lanche e parada em um free-shop para comprar muambas. Trouxe um telefone sem fio e um DVD Player (além da pen-drive comprada no Siñeriz). Depois das compras, banho, comedor, cerveja no centro para celebrar o “título moral” e cama.

Frase do dia: "Laranja quando cai, ainda faz o melhor tempo."

Domingo, 23/03 - A volta

Domingo foi o dia de acordar e deixar o máximo possível de malas prontas. Café da manhã na padaria, corrida relativamente tranqüila (apesar do forte vento) e, após o encerramento, alojamento, banho, carregar o carro e sair. Dois atletas do Grêmio Náutico Gaúcho pegaram carona conosco para a viagem de volta. Viagem relativamente tranqüila, novamente muitas retas e um regresso para casa por volta de 22h30. Na soma dos fatos, valeu a viagem.

Frase do dia: "Completei!"

* Artigo escrito na semana posterior à viagem. Não postado anteriormente por pura falta de tempo.

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