Bom, como alguns de vocês sabem, na semana da páscoa eu não estive presente em Porto Alegre. Consegui alguns dias de folga na empresa onde eu trabalho e fui para o Uruguai, acompanhar o Whiskas em uma prova grande de ciclismo realizada lá. Após o encerramento da viagem, foi requisitado que eu escrevesse um relato sobre esta semana.
Segunda, 17/03 - A viagem
O dia começou acordando relativamente cedo, pois não tinha terminado de arrumar todas as malas e precisava passar no banco para retirar dinheiro. Por volta de 9h30, o Ricardo passou lá em casa para iniciarmos a viagem rumo à Artigas, norte do Uruguai (divisa com Quarai). Pausas no caminho para almoço e para abastecimento. Muitas retas depios, chegamos em Quarai, e logo chegamos em Artigas. Meio perdidos pela cidade, conseguimos encontrar alguns ciclistas (um time argentino). Paramos para conversar e tentar descobrir mais sobre a prova. Recomendaram que fossemos ao ginásio da cidade.
No ginásio descobrimos que a inscrição havia sido efetuada, pegamos os números e descobrimos que poderíamos dormir já na segunda-feira em um alojamento do exército uruguaio. Porém só teríamos direito às refeições do evento a partir da noite de terça-feira. Voltamos para Quarai para comprar pesos, atravessamos a fronteira de volta para o Uruguai, passamos na padaria para fazer um lanche, encontramos o alojamento, tomamos banho e saímos para jantar no La Farola, uma lancheria na praça central da cidade (que tinha uma garçonete um tanto atrativa). Como ainda era cedo, compramos um sorvete e decidimos jogar uma partida de Truco na praça central da cidade, celebrando o dia de San Patrício (St. Patrick) com uma cerveja Patrícia. Depois disto, alojamento e cama.
Frase do dia: "Alto cinco!"
Terça, 18/03 - O contra-relógio
Acordamos e fomos tomar café-da-manhã na padaria. Tentamos passear um pouco pela cidade, mas o passeio se tornou extremamente monótono, pois havia pouco movimento e a maioria das lojas não abria antes das 9h. Na medida que foram abrindo, passamos em algumas lojas e free-shops e depois voltamos para o alojamento. Depois de descansar um pouco, saímos para almoçar, comemos um sanduíche no La Farola. Após o almoço, voltamos para o alojamento para descansar antes da prova. A prova tinha início 16h, tendo a largada por ordem crescente de inscrição. Como o Ricardo tinha o número 72, ele só iria largar 5h12 (5h42, considerando que a prova se iniciou apenas 16h30).
Chegamos lá um pouco antes do início da corrida. Ele começou o aquecimento com antecedência e, antes do início da prova, pegou dinheiro para ir na padaria tomar um café. Rodas colocadas, tudo acertado e lá vai ele para correr o primeiro contra-relógio, um trecho "curto" de 1500m. O melhor tempo até ele iniciar tinha sido do argentino que ganhou a competição no ano passado. Ele pedala e faz um tempo 2 segundos mais rápido. Fui imediatamente conferir esta informação e contar para ele, que reagiu de uma forma um tanto incrédula. Ao final da comemoração, ele olha para a bermuda e encontra os 5 pesos que sobraram do troco do café (ele esqueceu de deixar no carro). Esperamos um pouco mais para que os últimos corredores terminassem a corrida e aí começaram os assédios e as entrevistas. Depois de enrolar muito o entrevistador da rádio, voltamos para o alojamento. Enquanto espero pelos meus chinelos para tomar banho (que estavam emprestados), conseguia ouvir uma canção alta vindo dos banheiros. Depois de tudo isto, janta no comedor, mais entrevistas e um sorvete para encerrar o dia.
Frase do dia: "Tá falando sério?!"
Quarta, 19/03 - Malla a cuadros
Na quarta-feira, logo após acordar tínhamos que empacotar todas as malas, pois viajaríamos até Rivera (Whiskas correndo de bicicleta e eu no carro). Passada na padaria para o desjejum, mais entrevista, aquecimento, mais entrevista e eu recebi o número 1 para colocar no vidro dianteiro. O carro da Elipse era o primeiro da caravana. Em Quarai, parada para receber a malla a cuadros do prefeito da cidade. Corrida com muito sol e pouco vento, dentro do carro fazia um calor infernal.
Depois de três horas de sol, chegada em Rivera. Alojamento, almoço e uma ciesta que durou quase a tarde inteira. Depois disso, passeio pela cidade, incluindo a foto clássica com um pé em cada país e algumas compras na Siñeriz. Parada para o lanche, compras no Super-Tata e voltamos ao alojamento para o jantar. Depois disso, banho e cama.
Frase do dia: "Tu és el malla."
Quinta, 20/03 - A subida
Acordamos e empacotamos tudo novamente, pois viajaríamos de volta para Artigas. Como não sabíamos direito o caminho até Tranqueras, onde seria realizada a largada, tomamos o café da manhã no carro esperando que os veículos da organização saíssem para segui-los. Faltando 10 minutos para a largada, o Ricardo resolve trocar o cassete das rodas porque o outro tinha mais dentes, ajudando na subida. Começa a prova com uma subida forte, seguida por uma interminável subida. Depois de terminar de subir, mais uma subida. Após isso, mais uma viagem sob um sol forte, com direito a um furo de pneu (da bicicleta) faltando 10Km para o encerramento. Encerrada a prova, fizemos a rotina clássica de ir para o alojamento, comedor, alojamento, ciesta, banho, comedor, sorvete e cama.
Frase do dia: "Espera aí que preciso trocar o cassete."
Sexta, 21/03 - A metade da prova
Começar o dia sem precisar arrumar nenhuma mala para a viagem já foi bem mais divertido. Café da manhã na padaria, como de costume. Corrida, almoço, ciesta, padaria e depois saímos para um reconhecimento da estrada da prova de sábado, o contra-relógio. Análise dos buracos, das marchas a serem utilizadas nas subidas e dos pontos onde seria interessante tomar água. Após efetuar o reconhecimento, banho, janta, sorvete (como é de costume) e uma análise dos corredores que estariam na estrada no momento do contra-relógio, quais deles teriam carro de apoio e qual seria o procedimento para ultrapassar um ciclista ou um carro de apoio. Afinal, ele iria ganhar a prova, portanto iria eventualmente realizar ultrapassagens.
Frase do dia: "Fico com a caramanhola."
Sábado, 22/03 - O empacotamento
Café da manhã na padaria e bastante aquecimento até o início do contra-relógio. Tudo pronto, tudo certo, todas as espectativas altas e o contra-relógio se inicia. Ele arranca com a bicicleta, eu arranco com o carro e *capof*. Ele empacota no meio da pista, logo depois de largar. O pessoal da organização é rápido, coloca ele logo de volta na bicicleta mas ele não consegue ter o rendimento esperado durante o resto do contra-relógio, em virtude dos machucados. Apesar disso, ele ultrapassa dois corredores e faz o melhor tempo até aquele instante (45 corredores já haviam terminado a prova). Terminada a prova, ele consegue o décimo melhor tempo. Ou seja, existia uma enorme possibilidade de ele ganhar a prova, baseado no tempo tendo caído e na vitória no primeiro contra-relógio. Mas acidentes acontecem. Chamei uma ambulância logo depois do encerramento da prova, curativos, banho, almoço, alojamento e ciesta. Após acordar, padaria para um lanche e parada em um free-shop para comprar muambas. Trouxe um telefone sem fio e um DVD Player (além da pen-drive comprada no Siñeriz). Depois das compras, banho, comedor, cerveja no centro para celebrar o “título moral” e cama.
Frase do dia: "Laranja quando cai, ainda faz o melhor tempo."
Domingo, 23/03 - A volta
Domingo foi o dia de acordar e deixar o máximo possível de malas prontas. Café da manhã na padaria, corrida relativamente tranqüila (apesar do forte vento) e, após o encerramento, alojamento, banho, carregar o carro e sair. Dois atletas do Grêmio Náutico Gaúcho pegaram carona conosco para a viagem de volta. Viagem relativamente tranqüila, novamente muitas retas e um regresso para casa por volta de 22h30. Na soma dos fatos, valeu a viagem.
Frase do dia: "Completei!"
* Artigo escrito na semana posterior à viagem. Não postado anteriormente por pura falta de tempo.
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