sexta-feira, 3 de julho de 2009

A arte de cozinhar

Nunca fui muito amigo da cozinha. Enquanto a mãe ia fazer o almoço eu normalmente estava envolvido em alguma outra atividade com o pai. Isso quando a atividade em que o pai estava não era ajudar a mãe: neste caso, eu fazia algo por conta própria.

O resultado foi que eu consegui chegar aos 20 anos sem saber fazer nada, e quando eu digo nada é nada mesmo. Nem sequer torrada ou chimarrão. "Sem saber" talvez seja um termo muito forte, eu tinha a noção do que era necessário fazer, mas nunca havia feito. Aquela velha diferença entre conhecer o caminho e percorrer o caminho.

Aos poucos fui me arriscando, começando obviamente pelas torradas. Quando consegui meu primeiro estágio, em um órgão público, a primeira coisa que eu aprendi foi a programar em Perl, e a segunda foi a fazer chimarrão. Torrada e chimarrão, metade do caminho para que eu me tornasse um mestre cuca já estava percorrido.

Em uma noite em que eu estava sozinho em casa e tinha molho pronto, resolvi me aventurar montando uma pizza. Sim, pizza, um enorme passo na escala de aprendizado. Comprei o disco no supermercado, coloquei molho, queijo, tomate, pimentão-- pausa. Quando eu digo pimentão, quero dizer pimentão verde. Para alguém que nunca cortou um pimentão verde, e com uma área tão grande dedicada à culinária no seu cérebro que nunca reparou nos pedaços de pimentão que comeu durante mais de 20 anos, o resultado foi um pimentão cortado exemplarmente em fatias com caroço (ou recheio, sei lá o nome que tem aquela bola branca cheia de sementinhas que tem dentro) e tudo. Tiras de presunto, orégano e manjerona foram os responsáveis pelo encerramento daquela verdadeira obra-prima do mundo culinário que, apesar de tudo, ficou boa não ficou ruim.

Depois disso, o mestre-cuca começou a namorar. É lógico que minhas habilidades culinárias nunca foram testadas, tanto é que o namoro continuou firme e virou até noivado. E não se desmancha um noivado apenas porque o noivo não sabe cozinhar. Se chegou até ali, vale a pena ensinar. E assim eu ganhei a minha primeira professora de culinária.

A lição básica foi o arroz, o qual eu já aprendi a fazer sozinho, sem ajuda nenhuma. De vez em quando eu faço arroz bronzeado para não ficar sempre com o mesmo gosto, mas normalmente eu acerto. A técnica de montar uma pizza em cima de um disco também vem sendo aprimorada, especialmente quando a Lilian e eu ficamos responsáveis pela janta nos sábados. Claro que eu cuido apenas das salgadas (que normalmente são do mesmo sabor) e deixo a doce com ela.

Lasanha é o prato no qual eu estou em processo de aprendizado. Com a história de a Lilian levar almoço de casa para o trabalho, sábado é o dia oficial de cozinhar e quase é também o dia oficial de fazer lasanha. Já tenho fortes noções de molho, camadas, molho branco, mas não sei se conseguiria fazer uma sozinho. Enquanto não sou promovido a Chef, tento aprimorar minha técnica na importantíssima função de auxiliar de cozinha. E até lá, sigo com a dieta do Garfield, pelo a menos até a Lilian enjoar de lasanha.

Um comentário:

Júlio disse...

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