terça-feira, 22 de setembro de 2009

Casamento (versão da noiva)

Era um sábado de noite. Estávamos completando 9 meses de namoro, em Balneário Camboriu, Santa Catarina. Em uma atitude de estabelecer domínio, sob o argumento de não precisar gastar com hospedagem, estávamos acomodados no apartamento dos padrinhos do meu namorado.

Para comemorar estes 9 meses juntos, combinamos de jantar fora. Meu namorado jantou em um ritmo extremamente lento, fazendo com que um simples pedaço de camarão ou de batata frita demorasse cerca de 2 minutos no pequeno trajeto entre seus dentes e sua garganta. O objetivo era claro, visto que quando terminamos o jantar o céu já não tinha mais nenhum resquício de sol e a escuridão da noite já predominava na cidade.

Sem um rumo definido, em uma tentativa de deixar a noite mais romântica, meu namorado me leva para o canto mais escuro e deserto possível: a beira da praia. Pouquíssimas pessoas caminhando por lá, junto com um barulho de carros na avenida Atlântica que abafaria o som de qualquer grito. Em virtude de estar utilizando de um vestido, minha carteira com o cartão do banco estava no bolso dele. O restante dos documentos estavam no apartamento, sob o domínio dele e dos seus padrinhos.

Revendo a situação: eu, utilizando apenas um vestido e uma rasteirinha, sem bolsa, sem documentos, sem dinheiro, sem cartão do banco, em uma praia deserta e escura, ao lado de uma avenida barulhenta mas longe o suficiente para perceber qualquer coisa, sem nenhum conhecido em um raio de 500Km, com os pés cheios de areia, sendo pedida em casamento. Para quem estiver lendo este texto, sob as circunstâncias apresentadas, quem seria tola o suficiente de responder não a um pedido tão acintoso?

Foi assim que, de livre e espontânea vontade, disse sim.

* Originalmente escrito por Carlos Rocca, após ouvir esta desagradável versão contada pela noiva às amigas em uma pizzaria.

2 comentários:

Author disse...

HUAHUAHUAHUAHUAHUAHUA

O romantismo tem seu lado macabro :P

SuperPri disse...

Tu sabe, né, que teu erro foi ser metódico demais. E, afinal, ela estava com as amigas. O teu direito de saber disso (tão pouco retrucar!!) é zero.
Pergunta pra Lilian. Ela é advogada. Deve saber mais que eu.