domingo, 11 de outubro de 2009

A Fonte

Certa vez, em um passado não tão distante, o computador da minha prima começou a fazer um ruído de uma hora para a outra. Como não é difícil identificar a origem do ruído (basta ter dois ouvidos), o meu padrinho rapidamente atribuiu à fonte a causa do barulho e comprou uma fonte nova para substituir a barulhenta. Troquei a fonte (afinal, sou o técnico em informática que atende a família) e como "pagamento" ganhei de presente a fonte antiga e problemática.

Não prestei muita atenção à maneira de como a fonte estava ligada no interruptor de liga/desliga - "Eu fiz um curso de informática e sei conectar os fios azul, marrom, branco e preto" - mas como haviam dois fios pretos e dois fios brancos, nada mais lógico e intuitivo do que fechar um curto entre os dois fios pretos e os dois fios brancos para a fonte funcionar.

Chegando em casa, fui tentar consertar a fonte. Afinal, um barulho no ventilador não é um problema impossível de ser solucionado. Óleo de máquina e um pouco de paciência certamente iriam fazer com que a fonte voltasse a funcionar da forma silenciosa como sempre funcionou.

Para tanto, existe uma peça bem nos fundos da minha casa que quando foi construída seria chamada de dependência de empregada, mas que hoje é um guarda-entulho e local para todos os tipos de experiências físicas, químicas e biológicas possíveis e imagináveis, respeitando os limites do próprio "quartinho", como a peça é carinhosamente chamada.

Tirei o cooler, removi o adesivo, a pequena tampa que cobre a parte onde fica o rolamento e coloquei uma gota de óleo para uma melhor lubrificação. Terminado o procedimento, coloquei de volta a tampa e o cooler nos seus devidos lugares.

Hora de testar a fonte. Fio preto conectado com fio preto, fio branco conectado com fio branco, interruptor ligado, vamos ligar a fonte na tomada.

Neste exato momento, houve uma pequena falta de luz. Pequena, pois a luz voltou logo que eu desliguei a fonte da tomada.

Não sendo mais tão ingênuo para crer que realmente havia faltado luz, percebi na hora que o meu esquema lógico e intuitivo de ligação da fonte não estava correto. Depois de provocar um curto-circuito na minha casa, achei que era hora de guardar a fonte e ir dormir.

Enquanto guardava os materiais, escuto o som das pantufas do meu pai caminhando pelo pátio dos fundos até chegar ao pequeno quarto onde eu me encontrava. Ao entrar no "quartinho", seguiu-se o seguinte diálogo:

- O que tu está fazendo, Carlos?
- Nada.
- Nada?
- Não... eu estava tentando consertar uma fonte, mas já desisti...
- Deu algum curto-circuito aí por acaso?
- Tu notou?

Quem, de uma maneira lógica e racional, cria um diagrama de ligação com dois fios brancos e dois fios pretos que permite uma ligação ambígua?

Com o meu pai ao lado, conectei novamente os fios da fonte (desta vez ligando preto no branco e preto no branco) e a fonte funcionou perfeitamente, mesmo após quase ter incendiado a residência.

2 comentários:

Luiz disse...

Pois é, ainda me lebro das perguntas que eu fiz naquela noite.... - O que tu está fazendo, Carlos? - Deu algum curto-circuito aí por acaso? o que eu consigo me lembrar é o do teu semblante pálido, branco como uma cêra, como quem, por dentro está todo borrado... mas é nessas horas que, errando a gente aprende. Foi uma lição, e como nós estamos, sempre protegidos pelo nosso Anjo da Guarda, não passou além de um susto. Beijo no teu coração
Pai

Whiskas disse...

Crocca, juntando este post com o anterior, não posso deixar de ficar feliz por tu seres garoto de programa e não engenheiro elétrico!