segunda-feira, 22 de junho de 2009

Confissões de um motociclista

A maioria da população não gosta de motos. Quem dirige moto é motoqueiro, motoboy ou pé-de-chinelo que não tem dinheiro para comprar um carro. O assunto moto quase sempre repercute negativamente nas rodas de amigos. “Um motoqueiro arranhou meu carro”, “um motoboy quase me atropelou na faixa de segurança”, “um motoboy quebrou meu espelho”. Sim, estas três situações possuem uma característica em comum: Os veículos envolvidos nas três ocasiões são motocicletas. Novidade: Os três indivíduos das motocicletas acima não são motoqueiros, e sim arruaceiros. E eles não dirigem apenas moto. Dirigem carro também. Ou vai dizer que carros nunca furam sinal vermelho? Que carros não dão o famoso totózinho quando estão estacionando? Que carros não encostam a porta em outros carros em shoppings e supermercados circunstâncias?

O grande problema com motos vêm da família. Pais que nunca tiveram moto têm medo e não admitem que o filho compre uma moto. Esta situação ocorreu também dentro da minha casa, só que o “filho” em questão era o meu pai. Quando meu pai quis comprar uma moto, minha mãe foi contra. A minha irmã não tinha idade o suficiente para possuir uma opinião a ponto de defendê-la com argumentos, e tendo o filho como aliado as coisas ficaram um pouco menos difíceis para o meu pai. No duelo Pai x Mãe, Comprar Moto x Não Comprar Moto, deu empate. O pai não comprou a moto, mas a mãe não conseguiu impedi-lo de comprar. O resultado foi uma scooter usada, que serviu como pontapé inicial da família Rocca no mundo sobre duas rodas.

Fato curioso: Um parente próximo teve vontade de comprar uma moto alguns anos atrás, mas a sua mulher não permitiu tal compra. Um discurso parecido com “Eu ou a Moto”, e a escolha obviamente foi a mulher. Ao ver o meu pai com a idéia de comprar uma moto, qual foi a atitude? Aliou-se à minha mãe, com o discurso “duas rodas caem”. Soou como um “se eu não posso ter moto, porque tu pode?”. Mas nem toda e qualquer aliança iria manter o meu pai afastado das motos. Afinal, todo mundo sabe que “quatro rodas capota”.

O tempo passou, dinheiro saiu, dinheiro entrou e dentro das disponibilidades financeiras a scotter foi trocada, não sem passar por uma grande resistência por parte da mãe, que no papel de “mãe” sempre se preocupou. Depois da scotter veio uma motoneta, para só então vir uma moto de verdade, não sem enfrentar ainda alguma resistência. Hoje eu tenho uma Twister, o pai tem uma Hornet e a mãe já tem ciência da nossa responsabilidade no trânsito, afinal são raros os acidentes durante este período e nenhum deles por nossa culpa.

Agora voltando ao assunto sobre gostar ou não de moto: nos horários de entrada e saída de trabalhadores dos seus locais de labuta, o trânsito fica em um estado beirando o caos. Diversos carros dividindo as pistas, trocando de faixas, buzinando, xingando, e, na sua grande maioria, transportando uma única pessoa. Isso mesmo, uma única pessoa ocupando um espaço superior a 6m² apenas para fugir do transporte público. Uma moto comum ocupa um espaço inferior a 1,6m². Isso significa que onde existe espaço para um carro no trânsito existe espaço para 4 motocicletas, pois nem todos os carros tem o tamanho de um Celta. A lei determina que uma motocicleta deve ocupar o espaço de um carro no trânsito, pois existem mais carros do que motocicletas então as motocicletas é que devem ser protegidas, por serem minoria. Em um trânsito onde só existissem motocicletas (como em procissões ou passeios), por mais que seja contra a lei este espaço virtual não existe, e isso não torna o trânsito menos seguro. Em um trânsito somente com motocicletas, os engarrafamentos continuariam existindo, mas em uma proporção próxima de ¼ do que existe hoje.

Como não é assim que funciona, vamos ao que existe hoje: motos são mais eficientes, poluem menos e ocupam menos espaço no trânsito. Os ganhos que um motociclista tem em dirigir um veículo mais eficiente são, chuva, vento e frio, aliados ao ódio e desprezo dos motoristas que estão dentro dos seus carros, com inveja do motociclista que passa ao lado, chegando ao seu destino muito antes do ser estressado que está em frente ao volante. Qual o problema em deixar a moto passar e seguir livre o seu caminho em um espaço de 1,6m² que existe entre os carros e não está sendo ocupado naquele instante? Muito possivelmente a moto irá parar ao lado de dois carros no próximo semáforo que encontrar fechado e não irá provocar atraso nenhum ao estressado invejoso em frente àquele mesmo volante.

Motos não respeitam o trânsito? Carros também não. Uma coisa não justifica a outra, mas nenhuma justifica uma guerra. Se alguém estiver em dúvida, recomendo experimentar uma motocicleta. Ao parar ao lado de outra motocicleta e ver um sorriso ao lado ou até mesmo um pequeno cumprimento através de uma balançada no capacete, você verá que está em uma realidade diferente, pois se você estiver de carro e ganhar um sorriso do motorista ao lado vai ser porque você é atraente ou porque ele precisa trocar de faixa. Motociclistas vivem em um mundo comum, e não há outra maneira de ver isto sem ser estando em cima de uma motocicleta.

quarta-feira, 10 de junho de 2009

Peugeot 306: o final da saga

Para quem não leu o início da saga, o relato está aqui. Segue abaixo uma lista de motivos pelos quais a Shaggy foi colocada a venda e o relato da saga de vender a Shaggy Machine.

1. Manutenção: O preço da manutenção do carro não foi exatamente uma surpresa, já era esperado que a manutenção do carro fosse algo fora do padrão dos carros nacionais. Mas a quantidade de manutenções foi. Não imaginava que fosse tantos problemas aparecendo.

2. Inviabilidade: Utilizar o carro se tornou um objetivo a ser alcançado. Eu explico: Eu estou praticamente morando com a minha noiva. O carro fica em uma garagem próximo a casa dos meus pais. Alugar uma garagem próxima da casa da Lilian não faz muito sentido, pois lá temos o carro dela. Eu uso a moto para vir trabalhar, e nos dias de chuva estava utilizando ônibus. Resultado: o carro era utilizado algumas vezes para eu ir da minha casa para a casa da Lilian (o pai dava carona para levar o carro de volta para casa) e em algumas saídas eventuais nos finais de semana em que estávamos lá em casa. O último abastecimento foi dia 28/03, no dia em que a Lilian e eu viajamos para gramado. Até o início de junho, não havia utilizado toda a gasolina do tanque.

3. Custo: Não tenho um box nem uma garagem para guardar o carro nem na minha casa nem na casa da Lilian. Para não deixar o carro na rua, soma-se um gasto mensal de 110 reais com garagem. Um dinheiro empregado basicamente em um lugar onde eu posso deixar o carro parado com segurança.

4. Custo/benefício: Com o dinheiro utilizado na garagem, eu consigo pegar táxi por um mês inteiro para ir da casa dos meus pais até a casa da Lilian, pois são raras as vezes em que chove e eu não consigo ir de moto. Na maior parte da semana eu vou direto para a casa dela após o trabalho.

Sábado, 28 de março

Viagem para Gramado com a Lilian para celebrar o primeiro ano de namoro e os três meses de noivado. Passando Novo Hamburgo, o ar-condicionado para de funcionar, e fica assim até voltarmos para Porto Alegre. Durante a semana, fui com o pai até a garagem, apertamos alguns cabos que não pareciam estar soltos e, como mágica, o ar-condicionado volta a funcionar. Alguns problemas elétricos envolvendo duas lâmpadas do painel (sistema de freio e temperatura) acendendo juntas sem motivo (fluido de freio normal, freios normais e temperatura normal - de acordo com o indicador) indicavam que mais uma parte do orçamento iria para a manutenção da Shaggy Machine. Como a situação já tinha provocado um desgosto parcial, a idéia da venda foi praticamente selada naquela semana.

Final de abril / Início de maio

Levei o carro no Willy, que é um chapeador conhecido do pai para consertar o estrago da batida e dar uma geral na lataria. Depois de mais 480 reais gastos, a Shaggy Machine nunca tinha estado tão bonita. Deu até vontade de cancelar a venda, mas eu já havia ido longe demais com a idéia para desistir.

Domingo, 10 de maio

O primeiro anúncio da venda foi veiculado na Zero-Hora, com o preço de R$ 10.500. De alguma maneira eu precisava estipular um preço para o carro, embora eu soubesse que eu iria precisar baixar este valor para vender. O mínimo seria R$ 8.000, mas eu só iria chegar neste valor depois de não conseguir vender por um bom tempo. Durante a semana teve apenas uma ligação, de uma pessoa que pediu a localização do carro e não deu mais retorno.

Domingo, 17 de maio

Além de ser o aniversário da Lilian, foi o segundo anúncio na Zero-Hora. O preço desceu para R$ 10.300, com poucas ou nenhuma ligação. Como coloquei o telefone de casa neste anúncio, alguns detalhes dos telefonemas (se existiram) foram perdidos.

Sábado, 23 de maio

Levei o carro na Rispoli Veiculos para saber como funcionava a venda de carros e efetuar uma avaliação do carro. A avaliação me deu um valor de R$ 9.000 e a venda seria de forma consignada, ou seja, eu iria receber o dinheiro quando o carro fosse negociado, independente da forma de negociação do comprador com a revenda.

Domingo, 24 de maio

Eu não tinha vontade de pagar garagem mais um mês para deixar o carro parado, então mais um anúncio foi veiculado, desta vez no valor de R$ 9.800. Abaixo dos R$ 10.000, a procura pelo carro não aumentou da forma que eu imaginava. O anúncio foi feito na sexta-feira, antes de eu levar o carro para ser avaliado.

Segunda, 25 de maio

Com todos os detalhes para a venda acertados, foi o dia de levar o carro no Eduardo para retirar toda a aparelhagem de som que estava instalada. Na volta para casa, ficou como marca o barulho que fazia o pisca-pisca, que eu nunca havia prestado atenção por estar sempre ouvindo música dentro do carro. Sem eu sequer imaginar, foi a última vez que eu dirigi a Shaggy Machine.

Quinta-feira, 29 de maio

O último anúncio veiculado na Zero-Hora, o primeiro feito durante a semana. Se na revenda vão me repassar R$ 9.000, o carro será vendido por aproximadamente R$ 10.000. Não custa nada tentar pegar um preço um pouco superior, até pela quantidade de anúncios veiculada. O preço do anúncio foi de R$ 9.300, e não obtive nenhum retorno em ligações.

Segunda, 1º de junho

Pedi ao pai que levasse o carro no Eduardo para a retirada da central de alarme, que não iria valorizar em nada o carro na negociação. Após isso, pedi também que ele levasse o carro até a Rispoli, para deixar o carro consignado para venda. Minha intenção era de que eu mesmo pudesse levar o carro, mas devido a alguns deslocamentos até um cliente da empresa acabei pedindo que ele me encontrasse lá. Depois de encontrado mais um problema (uma folga no setor da direção) que necessitava de um conserto (o carro não podia ser vendido assim) e de uma estupidez de um dos funcionários que quase me fez retirar o carro de lá, os últimos 240 reais gastos em manutenção e a Shaggy Machine definitivamente colocada a venda.

Quarta-feira, 3 de junho

Mais uma ligação, desta vez à noite, de um rapaz chamado Igor que viu o carro na Rispoli e gostou do carro. Não sei ao certo o motivo da ligação, mas ele se demonstrou bastante interessado e estava dependendo da chegada do pai dele (ou algo assim) para efetuar a negociação.

Quinta-feira, 4 de junho

Neste dia eu não tive nenhuma novidade sobre a Shaggy Machine, mas foi o dia que ficou marcado pela "adoção" do Corsa Sedan Cravo & Café. Levei o carro da Lilian lá no Eduardo para instalar o alarme que era da Shaggy Machine, além do rádio. Como a caixa de som que havia no porta-malas da Shaggy não ficou muito legal no Corsa, optei por adiar a instalação do módulo e do sub para o mês que vem, já que eu vou precisar mandar fazer outra caixa de som que se encaixe no porta-malas do Corsa Sedan.

Terça-feira, 9 de junho

De tarde, no trabalho, recebo uma ligação do José Rispoli informando que o Peugeot 306 havia sido vendido e pedindo que eu levasse o DUT (Documento Único de Transferência) preenchido na manhã seguinte. Os dados do comprador foram enviados por e-mail.

Quarta-feira, 10 de junho

Saí mais cedo do trabalho na parte da manhã para passar o cartório e autenticar o documento, já devidamente preenchido com os dados do comprador. Fui pela vez final até a Rispoli, onde eu casualmente encontro um antigo colega tentando trocar um Corsa por um Focus. Após ter entregue o DUT, deixei meus dados bancários para a transferência, que foi feita logo em seguida. Após quase dois anos, me despedi da Shaggy Machine sem sequer justificar o seu nome. I didn't even shagged there.

Conclusão

Desconfio que eu tenha escrito demais sobre um assunto que não deve ser tão interessante para a maioria dos leitores, muitos dos quais não devem nem ter conseguido chegar ao final do post.

Lindóia T.C.

No dia 7 de maio, me tornei sócio (ou dependente de sócio) no Lindóia Tênis Clube. A Lilian mudou a categoria de individual para patrimonial (diante do pagamento de uma taxa, obviamente) e eu entrei como dependente, assim eu posso fazer aulas de hidroginástica junto com ela e, talvez no futuro, mudar estas aulas para natação.

Como ainda não somos casados e noivo não pode ser considerado dependente, entrei como, sob fortes restrições, companheiro. Sim, sob fortes restrições, pois se ela começar a me chamar de companheiro daqui a pouco surge um sindicato e todos sabem onde essa novela vai terminar.