quarta-feira, 23 de setembro de 2009

You should be dancing, yeah

Acabei dançando nessa. Literalmente.

No final de julho, sob a recomendação da Alle (cabeleireira da Lilian), fomos conhecer a escola de dança Aline Rosa. Tínhamos uma boa recomendação, ficava perto de casa, todos os fatores favoráveis.

Marcamos uma aula experimental para uma quarta-feira à noite (aproveitando as férias da FAPA). Obviamente, após um fracasso total em qualquer tentativa de dançar e de olhares completamente apavorados dos professores, nos matriculamos na escola.

As duas primeiras aulas ainda foram referentes ao mês de julho, onde os ritmos trabalhados eram Bolero e Samba. Obviamente, não conseguimos dançar nem bolero, nem samba. O mais próximo que chegamos de dançar foi algo que estaria mais parecido com uma briga envolvendo dois cachorros nervosos do que um casal dançando.

Em agosto, o Samba deu lugar ao Pagode (Bolero é um ritmo considerado como base e por isso é trabalhado todos os meses). Ainda com muitas dificuldades em coordenar as pernas e em aprender que após mover o pé esquerdo é necessário mover o pé direito (e vice-versa), fomos tentando chegar em algo próximo de ser considerado "dançar". No final do mês, o que estávamos fazendo ainda não era isso, mas já não era tão parecido com uma briga envolvendo dois cachorros nervosos (parecia mais uma brincadeira de dois cachorros contentes, talvez).

Já em setembro, o Pagode deu lugar ao Forró. Com um pouco mais de trabalho (a dedicação sempre esteve presente, em todas as aulas) as trocas de passo estão começando a ficar um pouco menos complicadas. Algumas vezes ainda dá um nó nos neurônios e vem aquela vontade de mexer os dois pés ao mesmo tempo, especialmente quando é algum passo que também envolva movimentação dos braços. Os exercícios de frente para o espelho também tiveram uma enorme evolução, já que agora não é sempre que eu me movo para o lado contrário ao qual o professor está se movendo.

O ritmo das músicas entra quase como um assunto à parte. Entrei na escola com o mesmo ritmo que me acompanhou durante estes 27 anos. Descobri que ele só se aplica a 1% das músicas, visto que normalmente músicas diferentes possuem ritmos diferentes. Para trabalhar um pouco melhor esta questão, passei o mês de agosto ouvindo muito pagode no ônibus, nas circunstâncias em que tinha não dava para utilizar a moto. Cheguei até a gastar a região de memória do dispositivo onde ficavam os pagodes.

Vale lembrar aqui que a Lilian teve bem menos dificuldades do que eu na escola, pois além de já ter a noção de música já havia praticado outros tipos de dança em um passado recente.

E encerrando o post me dei conta que a primeira frase está errada, já que estou um pouco longe de "dançar". Mas como é esse o objetivo, com certeza vou acabar "dançando" nessa. Literalmente.

terça-feira, 22 de setembro de 2009

Casamento (versão da noiva)

Era um sábado de noite. Estávamos completando 9 meses de namoro, em Balneário Camboriu, Santa Catarina. Em uma atitude de estabelecer domínio, sob o argumento de não precisar gastar com hospedagem, estávamos acomodados no apartamento dos padrinhos do meu namorado.

Para comemorar estes 9 meses juntos, combinamos de jantar fora. Meu namorado jantou em um ritmo extremamente lento, fazendo com que um simples pedaço de camarão ou de batata frita demorasse cerca de 2 minutos no pequeno trajeto entre seus dentes e sua garganta. O objetivo era claro, visto que quando terminamos o jantar o céu já não tinha mais nenhum resquício de sol e a escuridão da noite já predominava na cidade.

Sem um rumo definido, em uma tentativa de deixar a noite mais romântica, meu namorado me leva para o canto mais escuro e deserto possível: a beira da praia. Pouquíssimas pessoas caminhando por lá, junto com um barulho de carros na avenida Atlântica que abafaria o som de qualquer grito. Em virtude de estar utilizando de um vestido, minha carteira com o cartão do banco estava no bolso dele. O restante dos documentos estavam no apartamento, sob o domínio dele e dos seus padrinhos.

Revendo a situação: eu, utilizando apenas um vestido e uma rasteirinha, sem bolsa, sem documentos, sem dinheiro, sem cartão do banco, em uma praia deserta e escura, ao lado de uma avenida barulhenta mas longe o suficiente para perceber qualquer coisa, sem nenhum conhecido em um raio de 500Km, com os pés cheios de areia, sendo pedida em casamento. Para quem estiver lendo este texto, sob as circunstâncias apresentadas, quem seria tola o suficiente de responder não a um pedido tão acintoso?

Foi assim que, de livre e espontânea vontade, disse sim.

* Originalmente escrito por Carlos Rocca, após ouvir esta desagradável versão contada pela noiva às amigas em uma pizzaria.